A hora de falar e calar

Tempo de leitura: 3 minutos

O título desse artigo nos remete a uma reflexão desafiadora: falar ou calar? Em que momento posso abrir a boca para dizer o que penso e quando devo me aquietar e não manifestar nenhuma informação, orientação ou opinião? A vivência diária das duas ações nos mostra o quão difícil é escolher a hora certa para praticar uma ou outra atitude. Na convivência com amigos ou familiares, a repercussão de falar o que não se deve tem um resultado, mas se a declaração ganhar a rua, por meio da imprensa, por exemplo, toma proporções até assustadoras e, como uma bola de neve, pode avançar a patamares inalcançáveis com diferentes níveis e possibilidades de reversão.

Nada mais convincente do que argumentos consistentes para apresentar as razões pelas quais é vantajoso seguir o instinto de falar ou calar. Minha pretensão não é a de listar motivos para você concluir o caminho certo, como numa receita de bolo. A ideia é promover um choque de consciência para que, diante das evidências, seja possível compreender as razões e ter mais condições de discernir pela melhor atitude a realizar. E é bom que se ressalte que o esforço para entender sobre a situação mais adequada tem um único objetivo: a criação e manutenção de uma reputação positiva, afinal você deve saber que, para criar uma marca são necessários anos de trabalho, mas para destruí-la basta apenas uma palavra. Não me refiro a esta ou àquela palavra, mas a qualquer palavra, algo sem pé nem cabeça, sem contexto, sem noção.

A fim de prestar esclarecimentos sobre as duas atitudes, suas vantagens e consequências, vamos imaginar algumas situações fictícias para ilustrar a explicação. Imagine um atleta, alvo de suspeita de doping que durante uma entrevista à imprensa resolve se calar. Diante de todas as perguntas, ele simplesmente não abre a boca. Como você imagina que tal atitude será interpretada? Alguns podem achar que é timidez ou medo, outros vão apostar na falta de argumentos e outros ainda poderão concluir que o silêncio é sinônimo da confirmação da suspeita, o famoso ‘quem cala, consente’. Haveria muito mais percepções para definir tal comportamento, mas nesse caso dá para concluir que ficar calado só traria desvantagens e até prejuízos e não seria, portanto, a melhor saída.

Com base no mesmo exemplo fictício, vamos explorar o reverso disso. E se o atleta resolvesse falar? Quais seriam as possibilidades? Você acha que ele deveria falar a verdade ou encobrir as razões pelas quais tomou um determinado medicamento que promoveu desempenho físico acima da média? Muitas vezes a declaração de alguém que representa uma instituição, uma marca, um grupo e até um país não é uma declaração individual e portanto, o teor e a forma do discurso não podem ser decididos e definidos unilateralmente. No entanto, o consenso do tal discurso pode não ser o ideal para quem tem que proferi-lo, tarefa árdua e que requer jogo de cintura, sangue frio e muita tranquilidade. Mesmo que o momento impossibilite declarações totalmente transparentes, há que se dizer algo, dar uma satisfação, talvez até um desabafo. A atitude mais incorreta e inadequada é não dizer nada. Mesmo que você não tenha nada para falar, nem se atreva a dizer que não tem nada a declarar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *